Policial em
Cubatão
- Uma diferença no caixa da Companhia Cubatense de Urbanização e Saneamento (Cursan) levou o setor de contabilidade da empresa a descobrir que a Cursan teve pelo menos dois cheques de sua conta no banco Santander clonados. Um deles, no valor de R$ 2.874,00, foi descontado na boca do caixa, em 29 de julho. O prejuízo só não foi maior porque o segundo cheque, de R$ 2.952,00, não chegou a ser pago e está em poder do banco. A mulher que tentava saca-lo se evadiu da agência, deixando o cheque e duas carteiras de identidade falsas com sua foto, porém com nomes diferentes.
A fraude foi descoberta quando a contabilidade decidiu verificar a movimentação bancária do período e analisar o balanço dos pagamentos, que apresentou uma diferença a menor entre a soma dos valores dos cheques emitidos e o saldo bancário. A operação revelou que uma mesma numeração de cheque aparecia no extrato bancário como sendo descontado duas vezes, com valores diferentes. O cheque original fora emitido em 27 de julho a um fornecedor local, no valor de R$ 117,00. No entanto, uma outra folha com a mesma numeração foi também descontada, dois dias depois, no caixa da agência do Santander da Avenida Nove de Abril, com o valor de R$ 2.874,00.
Surpresa - Diante disso, o diretor-presidente da Cursan, José Carlos Ribeiro, e o diretor financeiro, Armando Campinas Reis Júnior, se dirigiram á agência e tiveram uma surpresa: o banco possuía um outro cheque clonado, na quantia de R$ 2.952,00, também datado de 29 de julho, com numeração idêntica a de outro cheque emitido pela empresa em 27 de julho, no valor de R$ 188,00. Segundo José Carlos Ribeiro, este cheque só não foi descontado porque a caixa suspeitou da folha, que não continha a marca do picote na parte superior, comum a cheques fornecidos em grande quantidade, tipo formulário corrido. Mas, mesmo que o fato tivesse ocorrido cerca de 20 dias antes, a gerência do Santander só comunicou a apreensão do cheque clonado nesta segunda-feira (17 de agosto) por ocasião da visita dos diretores da Cursan à agência, após a contabilidade haver identificado o golpe.
José Carlos informou que, conforme relato dos funcionários do banco, enquanto a caixa foi verificar a autenticidade do documento, a mulher que tentava saca-lo abandonou a agência, seguida de três homens, deixando sua identidade para trás. Ao retirar o documento do invólucro plástico, encontraram dentro dele uma outra carteira de identidade com a mesma foto, porém com nome diferente e ainda sem assinatura do portador e a impressão digital.Os cheques clonados chamaram a atenção dos diretores da Cursan pela qualidade da falsificação. Em ambas as folhas as assinaturas dos diretores era perfeitamente idêntica às originais. "Cheguei a duvidar que não fossem minhas", admitiu Armando Campinas. As folhas continham todos os dados das originais, incluindo a numeração completa. Além da falta da marca do picote, as únicas diferenças apresentadas são praticamente imperceptíveis: nas falsificações um dígito do CNPJ foi trocado, bem como os dois primeiros algarismos da numeração, que servem para identificar o tipo de conta.
O caso foi denunciado nesta terça-feira, 18, ao delegado Paulo Roberto de Queiroz Motta, do 1º DP de Cubatão, onde foi lavrado Boletim de Ocorrência para investigação do caso. |